Queda dos combustíveis não será imediata

As reduções da Petrobras no preço da gasolina e do diesel já estão em vigor, mas os consumidores de Campo Grande só sentirão no bolso o efeito das medidas a partir de sábado e em apenas alguns postos.  

Isso ocorre porque a demanda está menor, em razão dos decretos estadual e municipal para frear o avanço da Covid-19, e os estoques comprados nos valores antigos ainda não foram renovados.

No posto Locatelli da Avenida Costa e Silva, a gerência disse ao Correio do Estado que os proprietários não costumam esperar para conceder os descontos, mas, em razão do feriadão, o setor administrativo não está funcionando.

A expectativa é de que o preço não demore a baixar, embora ainda não haja estimativa de quanto será o decréscimo.

Ontem, a gasolina comum era vendida a R$ 5,697 (à vista e no cartão de débito) e R$ 5,897 (no cartão de crédito).  

Já o diesel comum custava R$ 4,257 (à vista) e R$ 4,357 (crédito). O diesel S-10 era comercializado a R$ 4,297 (à vista) e R$ 4,397 (crédito).

No Posto Tereré, localizado na Avenida Afonso Pena, a gerência disse à equipe de reportagem que o movimento caiu bastante desde segunda-feira, de modo que os estoques estão demorando a se esgotar.  

Até o fechamento desta reportagem, a gasolina comum saía por R$ 5,776 e o diesel S-10 por R$ 4,376, sem diferença quanto à forma de pagamento. A empresa não trabalha com diesel comum.

No posto Gueno, da Avenida Eduardo Elias Zahran, o atendente informou que ainda não há expectativas de baixa, podendo acontecer nos próximos dias. A gasolina comum está R$ 5,59 (à vista) e R$ 5,69 (crédito). O diesel S-19 custa R$ 4,259, independentemente da forma de pagamento.

Comparando esses valores com a pesquisa mais recente da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), os preços ainda estão dentro das margens levantadas em Campo Grande para a gasolina comum. O valor médio foi calculado em R$ 5,67. A mais cara foi encontrada por R$ 5,89 e a mais barata, R$ R$ 5,55.

O mesmo foi observado com o diesel comum, cuja média foi calculada em R$ 4,23. O preço máximo encontrado pelo órgão foi de R$ 4,49 e o mínimo, 4,07. O preço do S-10 oscilava em torno de R$ 4,26, podendo chegar a R$ 5,54. 

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AUMENTO E QUEDA

Segundo o economista Daniel Amorim, a política de preços da Petrobras é apenas uma das peças no quebra-cabeça cujo resultado é o valor cobrado aos consumidores. Frete, valor de margem das distribuidoras, a margem de lucro dos postos, os insumos misturados na fabricação do combustível, etc.

“Em Mato Grosso do Sul, a taxação de impostos sobre a gasolina, por exemplo, está bastante alta, está quase 30%”, disse ao Correio do Estado.

O mercado de combustíveis, segundo ele, tem uma relação de preço e demanda sensível para aumentos e resistente para as baixas. “Os preços caem com muita dificuldade e ainda bastante devagar”, explicou.

Além disso, vale ressaltar que a soma de todos os impostos e margens provoca uma redução em cadeia. Dessa forma, a redução em uma das pontas é reduzida até chegar aos valores cobrados dos consumidores. Segundo Amorim, a longo prazo, uma das soluções para baixar seria, primeiramente, uma reforma tributária eficaz que fosse capaz de contornar o peso dos tributos sobre o produto.

“Uma última instância que seria possível, uma ideia que vem vindo com muita força, é o uso mais consciente dos veículos automotores. Já vemos uma onda do uso de patinetes, o próprio Uber, uso de veículos elétricos, bicicletas, ou seja, toda essa gama de veículos leves com baixo potencial poluidor é uma tendência que está chegando e isso contribuiria para a baixa nos preços e na demanda”, completa.

*Correio do Estado

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