Custo da cesta básica aumentou 15 horas de trabalho em 10 meses

Custo da cesta básica aumentou 15 horas de trabalho em 10 meses

Durante o período de 10 meses, um trabalhador que recebe um salário mínimo (R$ 1,1 mil) e mora em Campo Grande precisou trabalhar 15 horas e 3 minutos a mais para comprar uma cesta básica, conforme aponta o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que faz referência ao mês de março.

Na Capital, cada cesta básica custa R$ 552,99, o preço é o nono maior entre as capitais brasileiras e contabiliza 54,53% do salário mínimo.

 O tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta em março foi de 110 horas e 59 minutos, 15 horas e três minutos a mais do que em maio de 2020, quando ficou em 95 horas e 59 minutos. 

Em maio de 2020, a mesma cesta básica em Campo Grande custava R$ 455,35.  

De acordo com o cálculo apresentado pelo Dieese, no acumulado nos últimos 12 meses, o custo da cesta básica para os moradores de Campo Grande teve um aumento de 16,53%. Se for levar em conta a variação nos três meses deste ano, houve redução de 4,07%, sendo a maior queda de preço no conjunto de itens alimentícios entre as capitais.  

O economista Marcos Rezende explica que, além da alta do dólar e do aumento das exportações, que influenciam no preço dos produtos, outros fatores também impactaram os números.  

“A maioria dos produtos apresentaram elevação nos últimos meses, tem a alta do dólar, mais exportações e também houve aumento dos custos de produção, com aumento da ração, dos medicamentos e dos fertilizantes, uma série de aumentos que acabaram impactando a soma dos alimentos, além da diminuição de áreas plantadas de arroz, feijão, etc. No fim, tudo isso influencia no custo que chega aos supermercados”, destacou Rezende.  

A cesta básica comercializada na Capital ficou 0,26% mais cara em março, na comparação com o mês anterior.

spinner-noticia
-

PRODUTOS

Para comprar os 13 itens que compõem a cesta, o campo-grandense precisou desembolsar R$ 552,99, o que representa economia de R$ 1,41 em relação ao preço registrado em fevereiro, que foi de R$ 551,58.

Conforme a pesquisa, a batata, que no mês anterior havia tido redução expressiva de 28,94%, foi o item que mais registrou aumento em março, de 20,20%.  

O tubérculo fechou o mês de março com preço médio de R$ 3,63 o quilo. Uma das explicações para a oscilação, segundo o Dieese, é a redução na oferta da batata, que estava elevada em fevereiro.

Outros itens que tiveram alta em comparação com fevereiro foram o tomate (3,91%), o arroz agulhinha (3,46%), a carne bovina (2,26%), o açúcar cristal (1,16%) e o óleo de soja (0,50%), nestes casos, vindo de baixas do mês passado. 

O leite integral também registrou aumento (1,11%). Já a banana foi o produto com a queda mais expressiva no preço, de 9,84%, comercializada a R$ 7,84 em média.

Outros itens que ficaram mais baratos ao consumidor no mês foram a manteiga (-3,89%), o pão francês (-1,75%) e a farinha de trigo (-0,61%).

No período, a cidade registrou queda no preço do feijão carioquinha (-1,46%), um dos itens mais importantes da cesta básica. O produto teve alta em 12 das 17 capitais analisadas, e o aumento se deve ao controle de parte de oferta pelos produtores, para que não houvesse queda nos preços. Porém, a demanda ficou baixa, por conta da queda na renda das famílias no período de pandemia.

“Os produtos apresentados pela pesquisa são o básico para suprir uma família, se a gente pegar a inflação dos alimentos, eles subiram mais de 15% em um espaço de um ano, tudo isso em meio à pandemia, com milhares de pessoas desempregadas. O custo de vida está muito alto, e depender de benefícios como o auxílio emergencial, que nesta nova fase não cobre nem metade do valor da cesta básica, é muito complicado”, alegou o economista.  

A cesta básica familiar, com itens que podem suprir uma família composta de quatro pessoas, sendo dois adultos e duas crianças, apresentou custo de R$ 1.658,97, R$ 4,23 mais cara do que o mês anterior.

NACIONAL  

Em nota à imprensa, o órgão afirma que o custo médio da cesta básica de alimentos diminuiu em 12 cidades e aumentou em outras cinco, a capital com a cesta básica mais cara do Brasil é Florianópolis (SC), com um custo de R$ 632,75, enquanto Salvador (BA) tem a cesta mais em conta entre as capitais pesquisadas, R$ 461,28.  

Das 17 capitais pesquisadas, apenas cinco registraram alta no valor da cesta básica no mês passado, sendo Campo Grande a quinta entre elas, atrás de Aracaju (5,13%), Natal (2,83%), Curitiba (0,77%) e Belém (0,55%).

*Correio do Estado

Mais lidas