Dnit recupera pontos críticos da BR-262

Sem recursos orçamentários e financeiros para licitar a restauração do trecho crítico da BR-262, que compreende 49 km entre o Buraco da Piranha e a ponte sobre o Rio Paraguai, em Corumbá, o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit) optou por realizar um serviço emergencial e paliativo. 

Uma solução que apenas vai adiar uma situação que tende a se agravar por conta do tráfego intenso de caminhões.

A presença de trabalhadores no trecho trouxe alívio aos motoristas, contudo serão executados apenas serviços de manutenção e conservação rotineiros, previstos em contratos ainda de 2017 e 2020, que consistem em tapa-buraco e remendo profundo, informou o órgão. 

As intervenções, no entanto, devem melhorar a trafegabilidade e segurança aos usuários por tempo limitado, reduzindo os riscos de acidentes.

Transporte de minério

Conforme noticiado em 22 de fevereiro de 2021, pelo Correio do Estado, a destruição da pista, com uma sequência de buracos de várias dimensões, ocorreu com o transporte de minério de ferro da Vale Mineração para os portos de Santos.  

Cerca de 200 caminhões bitrens, com 50 toneladas, em média, cada um, trafegam diariamente pela BR-262, danificando também outras rodovias, como a MS-040 (Campo Grande-Ribas do Rio pardo). Com os portos voltando a operar no Rio Paraguai, a Vale deve reduzir o transporte rodoviário.

A precariedade do tráfego no trecho teve reação imediata na cidade, com a Câmara de Vereadores cobrando providências ao Dnit, e também na Assembleia Legislativa, onde o deputado Evander Vendramini (Progressistas) criticou o descaso do governo federal para com a rodovia. 

O parlamentar também exigiu explicações sobre a má qualidade do serviço de tapa-buraco que vinha sendo realizado.

A estrutura é frágil

O superintendente regional do Dnit, Euro Nunes Varanis Junior, adiantou ao Correio do Estado que a BR-262 deve ser contemplada com um projeto de engenharia para sanar todos os problemas estruturais que a pista apresenta no trecho que atravessa o Pantanal. 

Os recursos solicitados ao Ministério dos Transporte se destinam à restauração com intervenção na estrutura do aterro mal planejado nos anos de 1980.

“A rodovia, no trecho Miranda-Corumbá, em sua quase totalidade implantada em terreno alagadiço, não possui estabilidade necessária para suportar tráfego pesado, porque o aterro foi construído pelo método conhecido como bota-dentro, carreando todo tipo de matéria orgânica e material saturado”, explicou o superintendente. 

A solução, segundo ele, é reconstruir o aterro e proteger a rodovia das cheias e vazantes.

As intervenções nas camadas superiores do pavimento, seja de restauração, seja de recapeamento, não vão surtir os efeitos esperados tecnicamente e de qualidade, hoje, recorrentes, “em função da infraestrutura frágil de uma rodovia construída sem nenhum controle tecnológico”, disse Euro Varanis. 

A “reconstrução” do aterro atenderá também a uma projeção de aumento do tráfego pesado na rodovia nos próximos anos.

*Correio do Estado

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