Morre tenente-coronel que se consagrou após punição

Tenente-coronel que recebeu como “castigo” ser transferido do Rio de Janeiro para Campo Grande, por ter se recusado a cumprir missão do Exército Brasileiro, morreu neste sábado (06). Rubens Marques dos Santos era médico, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), foi secretário de Saúde e também grão-mestre da Maçonaria no Estado. A missão que o tenente-coronel se recusou a executar foi durante a ditadura militar, em 1964.

Em junho de 1968 brigadeiro João Paulo Penido Burnier, do alto comando da Aeronáutica, teria comissionado Rubens Marques a explodir gasômetro na cidade do Rio de Janeiro e a Hidrelétrica de Ribeirão das Lages, para aderirem a culpa a considerados inimigos do golpe militar.

Por ter se recusado, Marques foi submetido a uma transferência de cidade, ano em que se mudou de sua cidade natal e veio morar em Campo Grande, entendendo que essa ação seria uma maneira de puni-lo.

Uma das missões de perigo em que o tenente-coronel se submeteu, salvando vidas, foi em um episódio em que velho navio mercante de bandeira grega, transportando frutas da Argentina para a África, navegando à altura do litoral sul, pediu socorro urgente para que salvassem o seu comandante que fora acometido de um mal súbito.

Em 1963, o resgate de um Catalina da Força Aérea Brasileira (FAB) caído na selva amazônica - onde o militar resgatou inclusive um bebê - foi destaque nacional, noticiado pelo jornal O Globo, que o chamou de herói, estampando sua foto com o bebê no colo na primeira página.

Rubens Marques dos Santos era membro da primeira equipe do PARA-SAR (‘PARA’ de paraquedistas e ‘SAR’ do inglês Search and Rescue “busca e salvamento”). Por ser médico, recebeu de seus companheiros o apelido de “Doctor”, logo abreviado para Doc.

*Correio do Estado

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