Pandemia revela força do Hospital Regional

De hospital alvo de críticas e de vários embates entre governo e servidores antes da pandemia, com a chegada do coronavírus a Mato Grosso do Sul, o Hospital Regional tornou-se não só a referência para as internações e atendimentos, mas também o pilar que sustenta o tratamento da doença, responsável por 40% dos leitos de UTI contra a Covid-19 na Capital e por 24% da oferta para todo o Estado.  

Para o enfrentamento da crise causada pelo vírus, o governo estadual e federal destinaram R$ 117,5 milhões ao HRMS em 2020 e 2021.

De acordo com dados do Fundo Especial de Saúde (Funsau) da Secretaria de Estado de Saúde (SES), o Hospital Regional recebeu R$ 109 milhões em 2020. Deste total, R$ 91 milhões são provenientes da Lei Complementar de 2020, do Programa de Enfrentamento ao coronavírus do governo federal.

Este ano, o valor do recurso destinado a Funsau somou R$ 8 milhões entre gastos de custeio e de pessoal. Do total, R$ 3,6 milhões foram destinados pelo Estado para gastos com profissionais de saúde do Hospital. O investimento é referente aos profissionais de saúde que foram contratados entre janeiro de 2020 e janeiro de 2021.

LINHA DE FRENTE

Dados do Funsau apontam que entre as novas contratações, o HRMS possui um total de 355 profissionais, sendo 70 médicos, 111 enfermeiros, 146 técnicos de enfermagem e 28 fisioterapeutas. A quantidade de novas contratações é um reflexo das desistências dos profissionais por exaustão.  

De acordo com a diretora do Hospital Regional, Rosana Leite, 19 profissionais de enfermagem desistiram de suas funções no mês de fevereiro. Além disso, este ano o Hospital perdeu 41 médicos, o que gera um transtorno muito grande entre as escalas e atendimentos.

Leite explicou ao Correio do Estado, que as desistências ocorrem por conta do cansaço dos médicos e o constante avanço da pandemia. “Eles se arriscam diariamente para tratar pessoas com a Covid-19 e não veem melhora. A situação só vai piorando, as pessoas não respeitam, não têm cuidado e os médicos cansam e saem”.

O Hospital Regional é responsável por 24% do total de leitos de UTI para tratamento exclusivo da Covid-19 do Estado. Além disso, possui 40,6% dos leitos de Campo Grande, entre unidades públicas e privadas. 

A diretora do Hospital afirma que a unidade está trabalhando apenas com pacientes com Covid-19 e conta com 118 leitos de UTI para tratamento de Covid-19, que estão todos ocupados.  

MEDICAMENTOS

Em 2021, o Hospital Regional recebeu R$ 4.492.828,00 de recursos federais, que podem ser utilizados para custeio de itens como medicamentos, insumos, equipamentos de proteção individual (EPIs) ou materiais químicos para tratamento exclusivo da Covid-19.

De acordo com os dados do Funsau, até fevereiro deste ano, o hospital utilizou R$ 338,3 mil do valor total em material farmacológico. 

Mesmo com o recurso, o HRMS enfrenta uma falta de medicamentos nas últimas semanas. Uma explicação para que isso ocorra é que por causa do caos da pandemia em todas as regiões do País as empresas fornecedoras não conseguem atender toda a demanda.

Em razão da pandemia, o uso por medicamentos utilizados no tratamento dos pacientes aumentou substancialmente em todo o País, enquanto a produção, mesmo na capacidade máxima, tem tido dificuldades para suprir a demanda.

A diretora do hospital relata que há risco de falta de medicamentos, como sedativos, e que já há falta de antibióticos para pacientes de Covid-19 desde dezembro de 2020. “Está em falta porque não consegue comprar. A indústria alertou que está na capacidade máxima de produção”, detalha.

Além dos medicamentos, também foram utilizados R$ 807 mil em material hospitalar e R$ 1,176 milhão em materiais de limpeza e conservação do local. Com isso, do total desse primeiro recurso, já foram investidos cerca de 1,5 milhão em dois meses.

Completamente lotado, hospital já não pode ampliar leitos

Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) está com ocupação 100% para pacientes com Covid-19 e não possui mais leitos disponíveis. Além disso, a taxa de letalidade do local está em 21,2% e soma 982 mortes pela doença.

A diretora do Hospital, Rosana Leite, afirmou ao Correio do Estado que todos os leitos da unidade estão ocupados por pacientes com coronavírus, inclusive a unidade coronária. De acordo com Leite, há 25 pacientes na ala vermelha, 20 pacientes intubados e 118 internados na unidade de terapia intensiva (UTI).  

“Estamos em uma situação de colapso total. Em leitos de UTI não temos mais vagas e, além de todos esses pacientes, ainda temos mais seis nos andares, não é o ideal, mas é o que temos de fazer para suportar”, relata Leite.

De acordo com o boletim de coronavírus do HRMS, desde o início da pandemia já ocorreram 982 mortes pela doença. Foram confirmados mais de 4.600 casos de Covid-19 no local, que representam cerca de 58% das notificações totais.

A diretora afirma que o hospital não tem capacidade de abertura de novos leitos, por isso não há previsão de ampliação. “Nós não temos capacidade técnica, tivemos reuniões com o Estado e com o município e eles não passaram nenhuma previsão de abrir leitos aqui”.

*Correio do Estado

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