Modi consegue reeleição e sai da disputa com mais força política na Índia
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, foi reeleito para mais um mandato, segundo os resultados preliminares da apuração do pleito divulgados nesta quinta-feira, 23. O partido do premiê, o BJP, e seus aliados devem ficar com mais de 340 cadeiras, o suficiente para ter maioria na Câmara dos Deputados, que tem 545 vagas.
O Partido do Congresso, o principal da oposição, deve levar menos de 100 cadeiras na Câmara. A vantagem dará a Modi margem para buscar uma agenda ambiciosa internamente e no exterior.
“Obrigado, Índia”, escreveu Modi no Twitter após a divulgação dos resultados parciais. “A fé depositada em nossa aliança nos dá humildade e força para trabalhar ainda mais para cumprir as aspirações do povo”.
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A eleição foi a maior na história da democracia, com quase 600 milhões de eleitores, e considerada um referendo sobre o atual primeiro-ministro e suas políticas. O pleito transcorreu durante seis semanas e quebrou todos os recordes em termos de volume e complexidade, a um custo aproximado de 7 bilhões de dólares.
O resultado foi visto como um voto de confiança em Modi e em seu partido, o Bharatiya Janata (BJP, na sigla em inglês). Atualmente, a coalizão formada pela legenda do premiê e outros grupos aliados tem 245 assentos na Câmara dos Deputados.
Muitos acreditam que agora o premiê usará esse momento para fazer mudanças econômicas duras, como relaxar regras de contratação e demissão de empregados. Outros ainda temem que Modi concentrará mais poder.
Uma coalizão de partidos oposicionistas foi formada para tentar derrotar o BJP. Rahul Gandhi, 48, do Partido do Congresso, foi um duro adversário do atual premiê, apesar dos resultados.
O rival argumentava que o país não havia crescido o prometido por Modi e que houve uma crise no mercado de trabalho com a retirada de circulação de cédulas de rupia, em uma tentativa oficial para combater a corrupção.
As notícias falsas e imagens manipuladas abundaram durante a campanha, como as que mostravam Gandhi e Modi almoçando com Imran Khan, o primeiro-ministro do Paquistão.
Houve também mortes. Os rebeldes maoistas que se opõem ao Estado indiano mataram 15 soldados e seu motorista no estado de Maharashtra, no oeste do país, em 1º de maio.
Confrontos ocorreram no estado-chave de Bengala Ocidental, onde o BJP esperava compensar a perda de apoio em Uttar Pradesh, o estado mais populoso.
Gandhi tentou atacar Modi em várias frentes, especialmente em um suposto caso de corrupção em um acordo de defesa com a França e nas dificuldades dos agricultores e da economia.
Ambos trocaram insultos diariamente: Modi chamou Gandhi de “burro”, que por sua vez acusou o primeiro-ministro de ser “ladrão”.
Esta foi a 17ª eleição geral da história da Índia, o segundo país mais populoso do mundo, com 1,3 bilhão de habitantes. Os indianos escolheram 543 dos 545 integrantes da Lok Sabha, a Câmara dos Deputados, e, com isso, definiram o líder que governará o país até 2024.
Segundo a legislação indiana, o partido que tiver a maioria das cadeiras do parlamento, indica o primeiro-ministro. Modi, neste caso, já está garantido como novo premiê.
*Com Estadão Conteúdo e AFP
