Líder do PSD, Trad diz que não há pressão para mudar comando de CPI
O governo federal tenta pressionar os líderes de bancada, entre eles, Nelson Trad Filho (PSD), a realizar mudanças de titulares e suplentes da comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Covid-19, que tem o objetivo de investigar negligências e possíveis crimes ocorridos no combate à pandemia do novo coronavírus.
De acordo com o senador e líder do PSD no Senado, Nelson Trad Filho, entre os seus dois indicados “não existe a menor hipótese de mudança, já que eles foram escolhidos tecnicamente”.
As justificativas do senador se dão pelo fato de Otto Alencar (BA) pertencer à área da medicina e Omar Aziz (AM) ser do estado do Amazonas, onde aconteceu a crise por falta de oxigênio em janeiro deste ano nos hospitais, fato que foi determinante para a instauração da investigação parlamentar.
“É da prerrogativa dos líderes escolher os membros das CPIs e, para isso, eu me baseei tecnicamente. Otto, assim como eu, é médico, portanto, tem conhecimento técnico para avaliar medidas de combate à crise sanitária. Já Aziz é do Amazonas e acompanhou de perto o drama ocorrido nos hospitais do estado”, explicou.
Sobre a possível pressão que líderes como ele estariam sofrendo para a troca de indicados à CPI, o senador foi categórico e afirmou que não há a menor hipótese de troca, já que os nomes estão postos.
“Não me ligaram e não me pediram nada. No entanto, caso essa demanda do governo chegue até mim, a resposta será que não existe essa possibilidade, pois, como já disse, a minha escolha foi técnica e acolhida por todos os membros do meu partido. Esses senadores não foram escolhidos por nenhum viés de investigar A ou B, mas um todo”, disse.
Trad ainda complementou a informação dizendo que “Aziz é da cidade onde aconteceu todo o caos de saúde pública, ou seja, é a mesma coisa que, caso acontecesse em Campo Grande, alguém indicar um parlamentar do Piauí”.
Essa informação de que uma possível pressão sofrida pelos líderes teria respingado de forma mais acentuada no senador sul-mato-grossense se deve à proximidade dele com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
No início do ano, em virtude de sua articulação para eleição de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) à presidência do Senado, o parlamentar chegou a ser cotado para assumir o Ministério de Minas e Energia, ou da Cidadania. Porém, a articulação esfriou, o que pode ter deflagrado um pequeno distanciamento de Trad com o Palácio do Planalto.
Estratégia
A maioria dos integrantes da CPI da Covid-19 trabalha para que os primeiros requerimentos sejam para convocar três ex-ministros e buscar por material do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a atuação do governo no combate à pandemia.
Porém uma minoria governista quer desviar o foco da investigação e colocar no alvo, primeiramente, estados e municípios.
A troca dos titulares da comissão, segundo os aliados do governo, seria fundamental para essa mudança no cenário atual.
Acontece que o trabalho já foi traçado. Ele prevê chamar ao menos seis ministros ou ex-ministros do governo Bolsonaro para dar explicações sobre o enfrentamento da pandemia no País.
Uma versão preliminar do roteiro, elaborada por integrantes do colegiado, também cita a necessidade de ouvir secretários do Ministério da Saúde, autoridades responsáveis pela área de comunicação e governadores.
O único prefeito citado no documento é David Almeida (Avante), de Manaus, cidade onde a rede de saúde entrou em colapso no início do ano, com pacientes morrendo asfixiados após o fim do estoque de oxigênio em hospitais.
Início
Segundo parlamentares ouvidos pelo Correio do Estado, a CPI deve começar a funcionar nesta quinta-feira (22) ou na próxima semana. Um acordo entre a maior parte dos participantes prevê que Omar Aziz (PSD-AM) seja o presidente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) seja o vice e Renan Calheiros (MDB-AL) atue como relator.
Ação
Como a munição do governo federal para desidratar a comissão, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), aliada do presidente, ingressou com ação na Justiça Federal para impedir que o senador Renan Calheiros (MDB-AL) seja relator da CPI da Covid-19.
O emedebista tem feito duras críticas à gestão federal no enfrentamento da pandemia. Já Zambelli o acusa de ser investigado em diversos processos e inquéritos do Superior Tribunal Eleitoral (STF), que “denotaria sua incapacidade para presidir uma CPI”.
*Correio do Estado
