Sexo híbrido: projeto vai mapear as relações no Brasil pós-pandemia
"O que a gente tem visto em artigos e publicações é uma piora [do sexo] para a imensa maioria. Sexo saudável depende de uma série de elementos. Primeiro, você tem que estar bem, estar seguro, a saúde física e emocional preservada, ou o sexo fica prejudicado. E isso é mais complicado no momento atual", diz Carmita Abdo, psicóloga e sexóloga, em resumo do cenário das relações pós-pandemia.
Segundo ela, já é possível observar uma tendência de aumento para o que vem sendo chamado de relações híbridas, que ocorrem em parte de forma virtual e em parte ao vivo (leia mais abaixo).
No início da quarentena, relata Abdo, estudos demonstraram um maior interesse entre aqueles que já estavam juntos. Com o tempo e o aumento das preocupações, no entanto, o sexo passou a ser ainda mais raro do que antes. Especialistas da área estão começando a mapear as mudanças na atividade sexual do brasileiro dentro das novas condições (e limitações) impostas pela Covid.
Marco Aurélio M. Prado, professor do Programa de Pós-Graduação em psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordena o projeto "Sexvid", em parceria com outras universidades do Brasil. Em 2020 foram feitas entrevistas sobre a vida sexual de vários perfis de brasileiros: homens, mulheres, heterossexuais, homossexuais, de diferentes idades, que trabalham em casa ou no escritório.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html
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Questionário sobre encontros sexuais
A partir do próximo mês, Prado disponibilizará um questionário on-line para conseguir entender os detalhes dos encontros sexuais dos brasileiros.
Segundo ele, o país precisa reconhecer que as pessoas fazem sexo e que irão continuar fazendo durante a pandemia. É papel dos gestores públicos traçar um plano de gestão de risco, ou seja, entender e divulgar qual é a melhor forma de se relacionar com uma política de redução de danos.
O vídeo abaixo, que foi ao ar no Fantástico em julho de 2020, mostra depoimentos de solteiros, médicos e especialistas sobre as práticas sexuais e seus riscos para o contágio de Covid-19 durantes a pandemia.

Com ou sem máscara? Quais os riscos? A vida sexual dos solteiros durante a pandemia
O professor da UFMG observa que os solteiros estão criando regras próprias, tentando estabelecer os limites do que eles consideram seguro e saindo atrás de novos parceiros.
Ele defende uma definição de qual é a melhor forma de fazer sexo – existe alguma forma menos arriscada? Como? A pesquisa irá responder algumas dessas perguntas e tentar buscar dados que podem embasar a melhor estratégia.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html
Um dos entrevistados da pesquisa declarou que, antes das relações sexuais, pedia para o parceiro tomar banho. Esse tipo de medida perdida, sem fundamento, de acordo com Prado, precisa ser um alerta para a criação de campanhas que expliquem o que realmente pode ser feito para ter um relacionamento minimamente seguro.https://s3.glbimg.com/v1/AUTH_14ce1dbebbe64b1e8e955809a085692d/web-components/teste-ab.html?urls=eyJ1cmwiOiJodHRwczovL3MzLmdsYmltZy5jb20vdjEvQVVUSF8xNGNlMWRiZWJiZTY0YjFlOGU5NTU4MDlhMDg1NjkyZC93ZWItY29tcG9uZW50cy9wcm9kL3dpZGdldC5odG1sP3Byb2R1Y3ROYW1lPWcxJnByb2R1Y3RDb2xvcj0lMjNDNDE3MEMmYXJ0d29ya1VSTD1odHRwcyUzQSUyRiUyRnd3dy5vbW55Y29udGVudC5jb20lMkZkJTJGY2xpcHMlMkY2NTFhMjUxZS0wNmUxLTQ3ZTAtOTMzNi1hYzVhMDBmNDE2MjglMkY0YjNiMmFiMy1iNGM1LTQ4NDUtYTMzNS1hYzZhMDExYTE3OTclMkZkZDllNmQwMi03NmIwLTRlMzgtYmE5NC1hYzZhMDExYzU5ZDglMkZpbWFnZS5qcGclM0ZzaXplJTNETWVkaXVtJmF1ZGlvVVJMPWh0dHBzJTNBJTJGJTJGdHJhZmZpYy5vbW55LmZtJTJGZCUyRmNsaXBzJTJGNjUxYTI1MWUtMDZlMS00N2UwLTkzMzYtYWM1YTAwZjQxNjI4JTJGNGIzYjJhYjMtYjRjNS00ODQ1LWEzMzUtYWM2YTAxMWExNzk3JTJGZGQ5ZTZkMDItNzZiMC00ZTM4LWJhOTQtYWM2YTAxMWM1OWQ4JTJGYXVkaW8ubXAzJmR1cmF0aW9uPTE2OTkuOTcxJmF1dGhvcj1HMSZlcGlzb2RlVGl0bGU9QmVtK0VzdGFyKyUyMzQ0KyVFMiU4MCU5MytzZXh1YWxpZGFkZStlbSt0ZW1wb3MrZGUrcGFuZGVtaWEmcG9kY2FzdFRpdGxlPUJlbStFc3RhciZwdWJsaXNoZWRBdD0yMDIwLTA2LTI0VDEzJTNBMDAlM0EzMFomc2hhcmVVcmw9aHR0cHMlM0ElMkYlMkZnMS5nbG9iby5jb20lMkZiZW1lc3RhciUyRnBvZGNhc3QiLCJ1cmxfb21ueSI6Imh0dHBzOi8vb21ueS5mbS9zaG93cy9iZW0tZXN0YXIvYmVtLWVzdGFyLTQ0LXNleHVhbGlkYWRlLWVtLXRlbXBvcy1kZS1wYW5kZW1pYS9lbWJlZD9zdHlsZT1hcnR3b3JrJmltYWdlPTEmc2hhcmU9MCZkb3dubG9hZD0wJmRlc2NyaXB0aW9uPTAmc3Vic2NyaWJlPTAmZm9yZWdyb3VuZD0wMDAwMDAmYmFja2dyb3VuZD1mMmYyZjImZGlzdD1nMS1pJmhpZ2hsaWdodD1DNDE3MEMiLCJ1cmxfcmMiOiJodHRwczovL3MzLmdsYmltZy5jb20vdjEvQVVUSF8xNGNlMWRiZWJiZTY0YjFlOGU5NTU4MDlhMDg1NjkyZC93ZWItY29tcG9uZW50cy9wcm9kL3dpZGdldC1yYy5odG1sP3Byb2R1Y3ROYW1lPWcxJnByb2R1Y3RDb2xvcj0lMjNDNDE3MEMmYXJ0d29ya1VSTD1odHRwcyUzQSUyRiUyRnd3dy5vbW55Y29udGVudC5jb20lMkZkJTJGY2xpcHMlMkY2NTFhMjUxZS0wNmUxLTQ3ZTAtOTMzNi1hYzVhMDBmNDE2MjglMkY0YjNiMmFiMy1iNGM1LTQ4NDUtYTMzNS1hYzZhMDExYTE3OTclMkZkZDllNmQwMi03NmIwLTRlMzgtYmE5NC1hYzZhMDExYzU5ZDglMkZpbWFnZS5qcGclM0ZzaXplJTNETWVkaXVtJmF1ZGlvVVJMPWh0dHBzJTNBJTJGJTJGdHJhZmZpYy5vbW55LmZtJTJGZCUyRmNsaXBzJTJGNjUxYTI1MWUtMDZlMS00N2UwLTkzMzYtYWM1YTAwZjQxNjI4JTJGNGIzYjJhYjMtYjRjNS00ODQ1LWEzMzUtYWM2YTAxMWExNzk3JTJGZGQ5ZTZkMDItNzZiMC00ZTM4LWJhOTQtYWM2YTAxMWM1OWQ4JTJGYXVkaW8ubXAzJmR1cmF0aW9uPTE2OTkuOTcxJmF1dGhvcj1HMSZlcGlzb2RlVGl0bGU9QmVtK0VzdGFyKyUyMzQ0KyVFMiU4MCU5MytzZXh1YWxpZGFkZStlbSt0ZW1wb3MrZGUrcGFuZGVtaWEmcG9kY2FzdFRpdGxlPUJlbStFc3RhciZwdWJsaXNoZWRBdD0yMDIwLTA2LTI0VDEzJTNBMDAlM0EzMFomc2hhcmVVcmw9aHR0cHMlM0ElMkYlMkZnMS5nbG9iby5jb20lMkZiZW1lc3RhciUyRnBvZGNhc3QifQ==&channel=desktop
"A gestão do risco no Brasil já teve uma trajetória longa nos estudos de Aids. Se você retomar um pouco, as pesquisas sobre a Aids foram avançando e elas chegaram em um dado momento em que começaram a focar nessa tal da gestão do risco", diz.
"Não é que as pessoas estejam transando e pensando em como evitar o vírus. Na verdade, elas transam sabendo que elas estão transando também com o vírus. É uma vida com o vírus. É o que remete muito aos estudos da Aids", avaliou Prado.
Por enquanto, no planeta, poucos países criaram cartilhas e recomendações extensas sobre como fazer sexo na pandemia, entre eles a Holanda. O Instituto Nacional de Saúde Pública do país sugeriu manter "uma bolha" para relacionamentos sexuais.
Ocir Andreata, pós-doutor em Teologia e psicólogo especialista em Sexualidade Humana, declara que "bolha sexual seria você se relacionar com as pessoas bem íntimas que não estão com o vírus. Manter o relacionamento com 1 ou 2 pessoas. Muita gente critica, porque diz que ainda existe risco. Mas de fato estão se encontrando e correndo mais riscos de toda ordem".https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html
Relações híbridas
A sexóloga Carmita Abdo e Marco Aurélio M. Prado observam em seus consultórios e pesquisas que as relações estão cada vez mais híbridas. Meio on-line, meio ao vivo.
"A gente foi vendo que há um hibridismo, que essa divisão entre virtual e encontro real é muito mais mesclada do que a gente imagina. As pessoas usam aplicativos, usam muita tecnologia para práticas sexuais, mas elas também misturam encontros ao vivo nestas histórias", afirmou o pesquisador Prado.
Abdo diz que pacientes que não pensavam em usar aplicativos agora já implementaram na rotina.
"Quem já era adepto, continuou a usar mais e cada vez mais. Quem não tinha outra alternativa, aderiu. O número de pessoas que hoje pratica sexo virtual é muito maior no Brasil e em todo o mundo. Não é a forma preferencial, é a forma possível", disse.
Além disso, ela se diz preocupada com a iniciação sexual de jovens adolescentes, efeito colateral da pandemia em tempos de pornografia on-line. Segundo Abdo, começar a fazer sexo apenas virtualmente pode gerar alguns problemas, o que pode mudar a forma de relacionar de toda uma geração.
"O que será dessa geração? Vai mudar [a forma de se relacionar]. A gente já tinha dificuldade com esses garotos. Eles saiam da internet pra vida real, mas não tinham os estímulos tão interessantes quanto a pornografia on-line. A menininha não é aquela coisa toda da atriz pornô do filme", disse a sexóloga. O mesmo vale para as adolescentes: "Elas pensam: 'eu não sou aquilo tudo, não sou gostosa assim'".
"Sabe o que é pior? Não dá pra segurar. O sexo é algo muito mais forte do que milhões de recomendações. A saída mesmo é tentar orientar", completou.
*G1 - Bem Estar
