Novo filme de Tarantino não empolga em Cannes
Depois de subverter regras dos filmes de II Guerra em Bastardos Inglórios e de escravidão em Django Livre, o cineasta se volta para a Hollywood do final dos anos 1960, numa história inspirada em Burt Reynolds e seu dublê Hal Needham. Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) é um ator de uma série de sucesso que tenta avançar em sua carreira, e Cliff Booth (Brad Pitt) é seu dublê e amigo do peito.
Era uma Vez em Hollywood é tanto uma homenagem à Hollywood da formação de Tarantino e ao gênero cinematográfico do seu coração, o western spaghetti, quanto um “bromance” entre os dois personagens principais, com excelentes atuações da dupla DiCaprio e Pitt. Há uma certa melancolia mesclada com aquele tom cômico tarantinesco, pois ambos não chegaram onde sonhavam em suas carreiras. O fato de Rick ser vizinho do casal do momento de Hollywood, o diretor polonês Roman Polanski (Rafal Zawierucha) e sua mulher, a atriz Sharon Tate (Margot Robbie), deixa claro como o sucesso pode estar tão perto e tão longe ao mesmo tempo.
A inclusão de Polanski, condenado por drogar e estuprar uma garota de 13 anos em 1977, provocou polêmica na época do anúncio do filme. A verdade é que ele aparece pouco, pois Sharon Tate é mais importante nessa parte da história. Mas Era uma Vez em Hollywood pode não escapar de controvérsias, pois se passa na época do assassinato da atriz, grávida de oito meses, e mais quatro pessoas por membros da Família Manson, um culto que aterrorizou a cidade e tem papel importante na trama, com seguidoras sendo vividas por atrizes como Dakota Fanning e Lena Dunham.
